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[tradução] Nova temporada, novas regras

domingo, 23 de setembro de 2018

Olá!

Hoje trouxemos uma tradução falando sobre as novas regras na patinação. Segue texto:




O 53º Congresso anual da International Skating Union aconteceu em junho, na cidade de Sevilha, Espanha.


Fonte


O evento de 5 dias juntou mais de 350 delegados de todas as nações ao redor do mundo para votar mais de 400 propostas. Delegados discutiram tópicos que vão desde o valor de um toe loop simples até especificações do uniforme da patinação de velocidade.

Na patinação artística, várias modificações foram aprovadas e elas vão moldar o esporte nos próximos dois anos e talvez até a temporada 2021/2022.

A mudança mais notável foi na escala da nota de execução (GOE) para cada elemento técnico. Antigamente havia 7 possibilidades - de -3 até +3 - mas agora ela aumentou para 11 possibilidades - de -5 a +5. Após o elemento técnico ser executado, os juízes assinalam o GOE baseado em uma lista de critérios. 

Para ganhar um +5 em um salto, por exemplo, o patinador vai precisar obedecer o critério de 5 de 6 pontos essenciais para elementos de salto. Quedas agora recebem um GOE -5.

O programa longo masculino e de pares foi reduzido em 30 segundos para se alinhar às categorias feminina e dança. Os programas competitivos para atletas sênior serão de 4 minutos (com tolerância de 10 segundos a mais ou a menos) e de 3:30 minutos (tolerância de 10 segundos para mais ou para menos).  Como consequência, os homens saltarão 7 vezes em vez dos 8 saltos da última temporada.

Pares não farão mais um solo/combinação de spins lado a lado.

Patinadores individuais também estarão limitados a repetir dois ou 3 saltos triplos ou quádruplos no programa longo, e em caso de quádruplos, somente um poderá ser repetido. Além disso, o valor de base dos triplos Axel e saltos quádruplos foi reduzido dramaticamente, conforme tabela abaixo:




No que pode ser referido como "regra Zagitova", o bônus para executar saltos na segunda metade de um programa foi redefinido. No programa curto, o patinador receberá um bônus no salto final se executado na 2ª metade do programa. No programa longo, esse bônus se aplica aos três últimos saltos, caso também sejam executados na metade final do programa.

Patinadores individuais não são mais obrigados a executar um passo ou outro movimento logo antes de um salto no programa curto.

A half loop não mais será listado como uma única rotação (1Lo) no protocolo. Em vez disso, o termo usado na patinação de roller, "Euler", aparecerá como 1Eu nos protocolos.

No que pode ser visto como um acordo acerca da necessidade de desenvolvimento na patinação de pares nos países membros, o número de times a competir no programa longo no Mundial aumentará de 16 para 20 no início dessa temporada.

Medalhas serão entregues nos campeonatos em ordem reversa ao que ocorre hoje em dia. A ordem de entrega será bronze, prata e depois ouro. A mudança alinha o esporte ao modo com que as medalhas são entregues nos Jogos Olímpicos. 

Mudanças na dança no gelo


A dança no gelo trará talvez as mais significativas mudanças nessa temporada. O programa curto foi substituído pela dança rítmica. A modificação é somente no nome, já que os patinadores continuarão realizando os padrões de dança com elementos técnicos similares como na temporada passada. Foi determinado que o nome dança rítmica estava mais alinhado com o espírito da competição.

Outra mudança se dá na forma como os twizzles serão julgados. Nessa temporada, cada patinador será julgado individualmente pela sua execução, ganhando seu próprio GOE. Os dois GOE serão somados e o time receberá esse valor final como pontuação.

Três novos padrões de dança foram adicionados ao catálogo da ISU, totalizando agora 33. "Tea Time Foxtrot", criado pela polonesa Sylwia Nowak, campeã por nove vezes; "Maple Leaf March", criado pelo time de técnicos com base canadense de Carol Lane e Juris razgulajevs; e a "Rhumba D´Amour", dos legendários campeões olímpicos de dança  Jane Torvill e Christopher Dean.

Três novos elementos técnicos serão introduzidos na dança essa temporada - um movimento de deslizamento coreográfico (choreographic sliding movement), uma sequência de passos de personagem coreográfico (choreographic character step) e uma combinação de sequências (combination sequence). 


O deslizamento coreográfico é uma nova opção de critério de elemento coreográfico no programa longo da dança tanto para juniores quanto para sêniores. É basicamente um deslizamento controlado pelo gelo com uma parte do corpo de cada parceiro.


A sequência de passos de personagem coreográfico serve para potencializar o tom do tipo de dança e não tem restrições em termos de conduções e passos. Ele deve simplesmente destacar a música.

Os patinadores sêniores devem realizar esse elemento no longo da dança, enquanto os juniores podem escolher usa-lo para satisfazer critérios de elementos coreográficos.

A combinação de sequências é um elemento requerido no longo da dança tanto para juniores quanto para sêniores, no qual os patinadores fazem turns de um pé simultaneamente enquanto não se tocam. Os patinadores podem escolher brackets, counters, rockers, ou twizzle, não sendo necessário ser o mesmo movimento para os dois, mas sim realiza-los ao mesmo tempo.

Houve duas mudanças notáveis nos "poderes e deveres gerais e específicos", aos quais os oficiais da ISU precisam se submeter, Telefones celulares, tablets e smart watches foram banidos de forma clara na bancada dos oficiais. Para manter a neutralidade e permanecer sem viés, os oficiais da ISU não podem servir como líderes de time em nenhum ponto da temporada em que eles foram apontados para o painel dos campeonatos ou Jogos Olímpicos.

Finalmente, a proposta mais absurda a passar foi a número 190, que diz: "todos os programas precisam ser patinados com música."

Comunicado de imprensa da ISU explica mais detalhadamente o novo sistema



Desde que o sistema de julgamento da ISU foi introduzido em competições internacionais, no ano de 2003, a ISU vem constantemente desenvolvendo e aperfeiçoando o sistema. O Congresso de 2018 da ISU adotou algumas importantes mudanças para adaptar o sistema ao desenvolvimento do esporte. Para ter mais possibilidades de avaliar a qualidade dos elementos executados pelos patinadores, o alcance da nota de execução (GOE) foi expandida de -3 a +3 para -5 a +5 em todas as categorias da patinação artística no gelo.
Agora existem um total de 10 notas de execução. Junto a GOE, a escala de valores de elementos foi criada, baseada em um princípio percentual. Cada passo a mais ou a menos no GOE significa uma variação de 10% nas categorias individuais e pares e de 16% na dança.

Nos individuais e pares, há 6 pontos principais que os juízes estão avaliando para conceder o GOE positivo para cada elemento. Quanto mais pontos forem alcançados, maior será o GOE. No entanto, para nota +4 e +5, os 3 pontos mais importantes são obrigatórios.

+1 - 1 ponto
+2-  2 pontos
+3-  3 pontos
+4-  4 pontos
+5 - 5 pontos ou mais


Em caso de erros, juízes reduzem o GOE dependendo do quão grande o erro é.

Por exemplo, os saltos tem os seguintes pontos principais de GOE:

1 Muito boa altura e distância
2 Muito boa decolagem e pouso
3 Facilidade na execução do todo (incluindo ritmo em uma combinação ou sequência)
4 Passos para o salto, com uma entrada inesperada ou criativa
5 Boa posição de corpo desde a decolagem até o pouso
6 Elemento combina com a música

Os pontos em negrito são os três mandatórios para +4 ou +5 GOE

As reduções por erros são:

Queda: -5
Pouso em dois pés, dando passo: -3 a -4
Dois three-turns entre saltos em uma combinação: - 2 a -3
Lâmina errada("e"): -3 a -4
 Lâmina sem clareza ("!"): -1 a -3
Downgrade ("<<"): -3 a -4
Rotação insuficiente ("<"): -2 a -3
Velocidade, altura ou posição no ar inadequadas: -1 a -3
Encostar no chão com as duas mãos: -2 a -3
Encostar no chão com uma das mãos ou o pé livre: -1 a -2
Perda de fluidez ou ritmo na combinação ou sequência: -1 a -2
Pouso ruim: -1 a -3
Decolagem ruim: -2 a -3
Longa preparação (telegrafar): -2 a -3

Para todos os elementos, os pontos positivos e erros foram identificados. Para os spins, por exemplo, os pontos positivos incluem:

Boa velocidade e aceleração durante o spin
Posições boas, controladas e claras
Facilidade na execução do todo
Manter um spin centralizado

Pontos negativos incluem:

Spin descentralizado: -1 a -3
Posição ruim ou esquisita: -1 a -3
Spin devagar ou perda de velocidade: -1 a -3

Para lifts, juízes contam como pontos positivos:

Muito boa decolagem ou pouso
Boa velocidade, fluxo e cobertura de gelo
Facilidade na execução do todo (incluindo rotação e mudança de posição)
Muito boa posição no ar
footwork suave para o homem
Elemento se adequa a música

E para reduzir o GOE por exemplo temos:
Problemas leves para o processo de lifting: -1 a -2
Problemas sérios no processo de lifting: -3
A mulher começa ou pousa em dois pés: -2

 Na dança no gelo, suavidade, elegância, originalidade e criatividade são aspectos importantes para o GOE positivas para os elementos. Musicalidade é um critério.
Juízes avaliam a clareza e firmeza dos passos e turns nos twizzles e sequência de passos, a velocidade através do gelo e manutenção da velocidade ou aceleração durante os elementos, como lifts, sequência de passos e spins, assim como linha de corpo e poses de ambos os parceiros. Aspectos negativos são tropeços (-2 por tropeço), perda de equilíbrio (-1), elemento que não reflete o personagem escolhido pelo ritmo (-1 a -2), execução ruim, difícil ou descontrolada (-1 a -2)

Como resultado da mudança nos GOE, as estatísticas foram zerados a partir da temporada 2018/19. Todas as estatísticas prévias agora são históricas.

O ISU Technical Committees Chai para categorias individuais e pares, bem como para dança, fornecem explicações detalhadas para como as GOE são determinadas em webnários que podem ser vistas pelo canal e ISU YouTube Development Channel, que pode ser visto aqui.




[Tradução] Dados revelam informações chocantes sobre patinação no gelo nas Olimpíadas

segunda-feira, 2 de abril de 2018
Olá, tudo bem?

Hoje vamos publicar um interessante artigo sobre um tema polêmico da patinação: a pontuação. O link original está aqui.


Sotnikova e a juíza russa durante as Olimpíadas de Sochi

Dados revelam informações chocantes sobre patinação no gelo nas Olimpíadas


Nas Olimpíadas de Sochi, em 2014, a patinadora russa Adelina Sotnikova ganhou a medalha de ouro. A antiga campeã, Yuna Kim, da Coreia do Sul, era a grande favorita a repetir o triunfo de quatro anos antes, e liderava após o programa curto.
Mas Sotnikova venceu após receber as maiores notas de sua carreira - e saiu do gelo para os braços de uma juíza russa. Com o abraço da russa, que era casada com o líder da federação de patinação da Rússia e foi um dos dois juízes russos que garantiram o ouro para Sotnikova, ganharam força os pedidos por investigação.

"Nosso queixo caiu", disse a patinadora americana Simon Shnapir, que assistia o evento junto com outros competidores, "mas ao mesmo tempo, todos nós sabemos como a patinação funciona... ou você lida com isso ou não."

Por fim, a International Skating Union, o órgão que administra o esporte, rejeitou as reclamações da federação da Coreia do Sul e manteve o ouro de Sotnikova. Com as Olimpíadas de 2018 na Coreia do Sul começando nessa semana, algumas pessoas próximas ao esporte dizem que estão preocupadas com um novo escândalo, pois acreditam que o sistema é enviesado e não foi feito o suficiente para conserta-lo.

 "Imagine o público assistindo futebol americano, um time faz um touchdown e não recebe pontos por isso", diz Chloe Katz, antiga patinadora profissional, que foi medalhista em competições dentro dos EUA e internacionais. "Acho que é o que vem acontecendo agora na patinação."

Um dos esportes mais populares das Olimpíadas de Inverno, a patinação vem sofrendo com controvérsias há muito tempo. A causa é o sistema de julgamento, dizem os críticos. A patinação permite grandes brechas para pontuação enviesada que não existem em outros esportes olímpicos.

Talvez a mais importante delas seja que as federações nacionais, e não o órgão internacional, que escolhem quais juízes vão ser enviados para as competições - e os juízes podem avaliar atletas de seus próprios países.

"Na minha opinião, isso é um claro conflito de interesses", disse a italiana Sonia Bianchetti, que foi juíza de patinação em sete Olimpíadas, "mas as regras não proíbem."

Além disso, quem for punido por trapaça pode recuperar sua elegibilidade como juiz. Aqueles que possuem posições de liderança nas associações nacionais também são elegíveis. A NBC News descobriu que de um total de 164 juízes elegíveis para o evento de patinação de PyeongChang, havia:

  •  33 juízes - aproximadamente um quinto do total - tinham posições de liderança em suas federações nacionais;
  • Um juiz italiano recebeu sanção por espiar as notas de outro juiz em 2010;
  • Um juiz italiano foi punido por violações duas vezes, uma por sinalizar a sua ordem de classificação para outro juiz batendo com o pé, e outra vez por conversar com outro juiz em russo;
  • A juíza que abraçou Sotnikova em Sochi;
  • Uma juíza coreana que disse a um jornal que asseguraria que patinadores de seu país, como Yuna Kim, não seriam prejudicados;

Todos eles podem julgar patinadores de seus próprios países, e há evidências estatísticas de que eles podem inflar a nota de seus compatriotas.  


Viés: o que os números mostram


O professor de economia de Dartmouth Eric Zitzewitz vem estudando as pontuações das competições internacionais de patinação há 15 anos e disse que encontrou um viés mensurável e consistente. Os dados no estudo que Zitzewitz publicou em 2006 e 2014 mostrou que os juízes de todos os países, incluindo os EUA, tem sido propensos a favorecer seus conterrâneos. Sob o atual código de pontuação, no qual um competidor principal de um evento de elite como as Olimpíadas podem chegar a uma pontuação tão grande quanto 225, Zitzewitz descobriu que em 2016 e 2017 os juízes adicionaram uma média de três pontos à pontuação acumulada de seus compatriotas.

Então, os juízes de algum país são especialmente  tendenciosos? "Eu descobri que países com a fama de serem mais corruptos em outros campos acabam sendo mais tendenciosos no julgamento dos patinadores", disse  Zitzewitz. "Vou parecer um pouco partidário enquanto americano, mas se você começar pela América e for mais para leste a tendência nacionalistas parece aumentar", ele disse.

Zitzewitz começou a estudar a patinação artística após o escândalo de 2002 nas Olimpíadas de Salt Lake City, que abalou o esporte. A máfia russa foi acusada de determinar a vitória do par russo, em detrimento dos canadenses, apesar do desempenho superior destes. Uma juíza francesa e o líder da federação francesa de patinação foram suspensos por 3 anos pela participação deles no esquema. Os canadenses também receberam a medalha de ouro.

A International Skating Union mudou o sistema de pontuação após Salt Lake, tornando-o mais complicado e supostamente difícil de burlar. Uma das regras forçava os juízes ao anonimato nas avaliações. O órgão internacional que administra o esporte acreditou que isso deteria o voto nacionalista, pois as federações não seriam capazes de ver em quem os juízes votaram e eles seriam livres da pressão.

Entretanto, de acordo com Zietzewitz os dados entre 2003 e 2009 mostraram que não houve mudanças no viés nacionalista da pontuação.

Fonte


Chloe Katz, que patinou nas competições antes e depois das regras mudarem, não acha que a mudança ajudou. "Eu acho que existem novas formas de parcialidade  que se manifestam nesse novo sistema", ela disse. Quando solicitada a comentar sobre a descoberta de Zitzewitz, a ISU disse que tem uma Comissão Oficial de Avaliação cujo "papel é avaliar anomalias na pontuação dos juízes e decisões tomadas pelo painel técnico."

Um ano e meio atrás, a ISU modificou novamente as regras, incluindo a reversão da decisão sobre o anonimato, em 2002. Os espectadores das Olimpíadas de PyeongChang saberão quais juízes deram cada nota.

"Eu acho que é provável que os juízes se sintam mais responsáveis", disse Zitzewitz. "Vai permitir que (os comentaristas) falem sobre a pontuação que veio de cada juiz particular de uma rotina particular", ele disse. "Se alguns dos juízes são discrepantes, isso vai permitir que se fale sobre eles e sobre porque deram essas notas. E eu acho que isso vai mudar o cálculo para um juiz que está pensando em ser parcial ou pensando em fazer um acordo com outro país,"

Porém, ele pensa que "certamente você verá juízes dando notas ligeiramente maiores para os competidores do mesmo país."

No seu comunicado, a ISU disse para a NBC News que tem um procedimento robusto para monitorar os juízes, incluindo penalidades para pontuação excessiva dos atletas. "O cancelamento do anonimato torna possível rastrear não só a qualidade do julgamento", diz a ISU, "mas também a parcialidade. Juízes que cometem erros ou dão notas excessivas para patinadores recebem uma advertência e podem ser penalizados pela ISU." Eles disseram que a "prioridade é garantir um resultado justo" durante os Jogos de PyeongChang.

A ISU respondeu as questões sobre oficiais das federações nacionais servirem como juízes e juízes darem notas para atletas de seus países apontando para as regras da constituição da ISU.

Perguntados especificamente sobre a pontuação de Sotnikova em Sochi, a ISU apontou que as queixas sobre o caso da juíza que abraçou a russa foram indeferidas.

A juíza afirmou para a ISU que em 2014 ela não foi a primeira ou a única pessoa que Sotnikova abraçou depois de vencer: "ela estava muito entusiasmada e estava abraçando todo mundo que conhecia."

Um porta-voz da federação de patinação dos EUA falou para a NBC News que o presidente da organização, Sam Auxier, recusou ser juiz em PyeongChang. "As regras da ISU permitem que o líder da federação julgue eventos", disse o porta-voz, Barbara Reichert. "Entretanto, para evitar conflito de interesses, Sam Auxier voluntariamente se desligou de qualquer competição sênior da ISU, das Olimpíadas de 2018 e do campeonato americano durante seu período de 4 anos de presidência da federação americana." Auxier, que é presidente desde 2014, julgou eventos menores - e patinadores americanos - durante sua presidência. Ele julgou nas Olimpíadas de Sochi em 2014 enquanto era vice-presidente da federação americana.


Enxergando além de PyeongChang


O que mais pode ser feito para melhorar o método de julgamento? Algumas sugestões de observadores são:

  • Proibir juízes de julgarem patinadores de seus países
  • Proibir participação de oficiais das federações nacionais como juízes
  • Deixar que a ISU escolha juízes baseada no mérito, em vez de permitir que os países decidam quem mandam para as Olimpíadas
  • Impedir que juízes punidos retornem ao esporte. Atualmente, um juiz punido por fraude pode retornar ao rol de juízes elegíveis para as Olimpíadas em poucos anos.
  • Profissionalizar os juízes. A maioria deles é de voluntários gratuitos.
A ISU  não respondeu o pedido para comentar sobre as propostas. "Nós trabalhamos a nossa vida inteira por isso," Katz, uma antiga competidora disse. "Você desiste de tanta coisa, e você espera que os juízes sejam justos."

Ucrânia, Coreia do Sul e Rússia não responderam os pedidos de comentário, e nem os juízes italianos e russos que foram punidos; e nem a juíza sul coreana disse que disse que os patinadores de seu país não seriam prejudicados; ou então a juíza russa que abraçou Sotnikova. A federação canadense, Skate Canada, disse que "respeita completamente e apoia as regulamentações da ISU em relação ao treinamento, escolha e elegibilidade dos oficiais em todas as disciplinas. Todos os oficiais que chegam a esse nível são fortemente treinados e escrutinados. Qualquer questão relativa  à elegibilidade dos oficiais nas Olimpíadas devem ser direcionadas para a ISU."

A federação japonesa disse que sua diretora, Yoshiko Kobayashi, está participando no mínimo de competições para "manter o requisitado pela ISU para a posição de juiz, que é uma vez a cada três anos." Ela não está julgando campeonatos "para evitar conflitos de interesses e para assegurar a justiça para os patinadores e o esporte."





O que vocês acham que deveria ser feito para melhorar este sistema?

Tenham uma ótima semana!

Novas páginas do blog

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Olá, tudo bem?

Fonte


Finalmente estreamos as nossas páginas! Essa é uma ideia que já vem de muito tempo, mas finalmente colocamos em prática. Elas estão no lado superior direito da página inicial do blog, em um lugar de fácil visualização.

O Guia para assistir patinação no gelo junta informações essenciais para os fãs iniciantes do esporte ou mesmo quem deseja assistir apenas uma competição sem se sentir perdido com a pontuação e a dinâmica da patinação. Claro que é impossível descrever todos os detalhes, mas pelo menos dá para entender um pouco melhor o esporte.

A página Sobre explica um pouco melhor sobre o blog, além de informações sobre as redes sociais.

A página Contato traz os canais para entrar em contato com o blog, seja por e-mail ou por mensagem em outras redes sociais.

E então, faltou alguma informação sobre patinação?

Até mais!

[Pontuação] Os componentes do programa

segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Olá, tudo bem?

Hoje vamos continuar falando sobre pontuação e agora chegamos aos componentes do programa. Os outros posts da série podem ser vistos aqui e aqui.

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Exemplo de julgamento de programa de componentes

Os componentes do programa são avaliados por notas dos juízes entre 0,25 e 10. Veremos mais detalhadamente quais são os elementos e como é feito este julgamento.

Habilidades de patinação (Skating skills)


São as habilidades técnicas de patinação, envolvendo elementos como passos (steps), viradas (turns), uso de lâminas em diferentes direções (edge). Enfim, tudo o que aprendeu desde as primeiras aulas de patinação, até mesmo aspectos básicos.

Embora haja uma série de critérios a serem avaliados, separei alguns que podem ser observados com facilmente:

Facilidade em patinar com apenas um pé e não patinar demais usando dois pés.

Patinar em diferentes direções, tanto de frente quanto de costas

Bom deslizamento no gelo

Bom equilíbrio e facilidade na transferência de peso

Performance/execução


Mede o envolvimento do patinador, tanto de forma física quanto emocional conforme ele executa o programa.

Alguns critérios:

Interpretação do programa de forma a passar emoção

Transições fluidas de um movimento para o seguinte

Boa conexão com o público


Coreografia


É autoexplicativo. Mede a qualidade da coreografia do patinador.

Alguns critérios:

Propósito - a intenção e qualidade com que a coreografia foi elaborada. Aqui conta muito um bom coreógrafo.

Unidade - cada passo, movimento e elemento e motivado pela música

Padrões - fazer uma variedade significativa de diferentes padrões e direções.

Cobertura de gelo - o quanto o patinador se movimenta pela pista. O ideal é que cubra uma quantidade grande de gelo

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Comparação da cobertura de gelo de Yuna Kim e Sotnikova no programa longo das Olimpíadas de Socchi


Interpretação


Mede a interpretação da música enquanto patinação.

Alguns critérios:

Expressão das características e estilos da música durante o programa

Capturar as nuances da música que está sendo apresentada


Transições


Variedade ou dificuldade do trabalho dos pés, posições, movimentos e transições entre todos os elementos

Alguns critérios:

Variedade
Dificuldade
Qualidade

Já deu para perceber que o julgamento desses elementos é muito mais subjetivo. Apesar dos esforços para tornar os critérios mais objetivos, provavelmente é impossível eliminar toda subjetividade do julgamento. Para quem assiste, aqui fica bem mais difícil saber qual nota os juízes irão dar. 

Hoje ficamos por aqui.

Até mais!



Como reconhecer saltos de patinação de maneira simples

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Olá, tudo bem?

Tratamos de todos os saltos executados nas competições aqui, aqui, aqui e aqui. Para encerrar esse tema, preparei um resumo com alguns passos fáceis de serem seguidos para descobrir qual é o salto.

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Este resumo está bem simplificado e não funciona em 100% das vezes. Por exemplo, nem sempre o patinador vai patinar por muito tempo antes de executar o Lutz. Mas acredito que funcione bem o suficiente para servir. O importante é ser simples e fácil de reconhecer.

Também coloquei uma lista em ordem decrescente da pontuação. Assim é possível saber por exemplo que alguém que falha em um Lutz perde mais pontos do que quem erra um Salchow. Já é alguma ajuda para entender porque tal patinador ganhou uma certa nota. Importante lembrar que essa lista leva em consideração saltos com mesmo número de rotações. Não quer dizer que um 2 Axel valha mais do que um 3 Lutz. Para comparação entre rotações diferentes, sugiro a lista simplificada abaixo com as notas base dos saltos que geralmente são apresentados nas categorias feminina e masculina:

 Flip
Triplo) 5,3
Quad) 12,3

Lutz
Triplo)  6,0
Quad) 13,6

Salchow
Triplo) 4,4
Quad) 10,3

Loop
Triplo) 5,1
Quad) 12,0

Axel
Duplo) 3,3
Triplo) 8,5

Toe Loop
Triplo) 4,3
Quad) 10,3

Então, caso assistam alguma competição e queiram ficar por dentro dos saltos e do quanto valem, basta olhar a listinha e a imagem.

Até semana que vem!

O fim do anonimato na patinação

sábado, 11 de junho de 2016
Olá, tudo bem?

Tivemos uma notícia muito importante essa semana. Quem já viu o post sobre  pontuação, sabe que uma das mudanças no novo sistema de pontuação foi garantir o anonimato dos juízes. A ideia era impedir que eles pudessem sofrer pressão externa das federações na hora de julgar os atletas.


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Fonte


Essa regra sempre foi polêmica. Se por um lado o anonimato pode impedir essa pressão, há bons argumentos contra essa medida. Os críticos dizem que impedir o público de saber qual juiz deu cada nota prejudica a transparência. Durante o escândalo de Salt Lake, em 2002, o fato de todos saberem qual juiz deu a nota fez com que a juíza francesa fosse pressionada e acabasse confessando o escândalo. Se houvesse anonimato, seria impossível descobrir esse tipo de manobra.

Essa polêmica piorou após as Olimpíadas de 2014 em Sochi. O resultado final da categoria feminina foi muito contestado. Há quem considere que a juíza russa Alla Shekhovtsova pode ter beneficiado a atleta da casa Adelina Sotnikova, prejudicando a favorita Yuna Kim. Shekhovtsova era mulher do diretor geral da Federação Russa de Patinação Artística, Valentin Piseeve.


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Fonte


Uma das declarações mais fortes na época foi da patinadora Ashley Wagner, que na época declarou que o anonimato deveria acabar.

Finalmente, em uma reunião no dia 8/6/2016, a ISU determinou o fim do anonimato para todas as competições ligadas a entidade. Foi uma votação arrasadora, na qual apenas um delegado se opôs. Dentre as razões para a mudança, os participantes elencaram a maior transparência, necessidade de melhorar a confiança do público no sistema e desencorajamento de teorias da conspiração envolvendo juízes e atletas. Com mais informações disponíveis, diminui o espaço para especulações.

Só o tempo dirá se a nova regra realmente vai trazer os benefícios esperados ou se vai mesmo acabar aumentando a pressão de membros de federações sobre juízes, como se acreditava ao criar o anonimato. A mudança vale a partir da próxima temporada e então poderemos ver seus resultados.

E vocês, o que acham melhor, anonimato ou transparência?

Até mais!



Como avaliar saltos na patinação?

sexta-feira, 13 de maio de 2016
Olá, tudo bem?

Hoje vamos retomar a discussão sobre pontuação. Vamos falar sobre os elementos técnicos, que agregam saltos, giros, sequência de passos e sequência coreográfica. Para quem não viu a primeira postagem sobre pontuação, recomendo ler este post para ter uma ideia sobre os aspectos básicos da pontuação.
Como já foi mostrado, para avaliar elementos técnicos há primeiro o valor base, somado a GOE, que é composto pela avaliação dos juízes. Há alguns casos em que há modificações da GOE:

1.      Caso um patinador tente executar mais vezes um elemento do que é permitido pelas regras, a nota e zerada, além de receber um asterisco.

2.      No programa longo, para saltos executado duas vezes de simples, sem ser em uma combinação, o segundo salto é marcado como +REP e recebe apenas 70% do valor base.

3.      Saltos realizados após a metade do programa possuem um bônus de 10%

4.      Se há um salto em que a lâmina usada para pular seja incerta, o elemento é marcado como ! e  dependendo da severidade recebe -1 ou -2 de GOE. Se a lâmina foi incorreta (por exemplo, o salto foi no fio interno em vez de externo) ele é marcado com um e, devendo receber -2 a -3 de GOE.  

5.      Saltos que não completam a rotação são marcados com < se faltar mais de ¼ de volta e menos de ½. O valor é descontado em 70%. Caso falta mais da metade da volta em rotação, é colocado o símbolo << e o salto é contado como se tivesse uma rotação a menos. Um triplo conta com um duplo, por exemplo.

A combinação de saltos acontece quando o patinador usa a mesma lâmina do mesmo pé  em que pousou o salto anterior para realizar outro salto. Os valores dos dois saltos são somados. Já na sequência, não há o uso do mesmo fio em que o patinador fez o primeiro salto, mas ambos são realizados em sequência. Nesse caso, os dois saltos mais valiosos são somados e multiplicados por 0,8. 

A chamada regra Zayak proíbe os patinadores de repetirem  mesmo salto quádruplo ou triplo no programa longo. Somente são permitidas repetições de dois saltos e apenas se o último for uma combinação ou sequência. Fora isso a nota é zerada. Junto a esta regra há a restrição ao número de saltos que podem ser tentados (8 para homens e 7 para mulheres)

Finalmente, vamos ver as abreviações que são utilizadas para os diversos elementos.


Abreviação
Nome
Rotações no salto
Valor básico
Saltos
A
Axel
simples
1.1
duplo
3.3
triplo
8.5
quad
15.0
Lz
Lutz
simples
0.6
duplo
2.1
triplo
6.0
quad
13.6
F
Flip
simples
0.5
duplo
1.9
triplo
5.3
quad
12.3
Lo
Loop
simples
0.5
duplo
1.8
triplo
5.1
quad
12.0
S
Salchow
simples
0.4
duplo
1.3
triplo
4.4
quad
10.5
T
Toeloop
simples
0.4
duplo
1.3
triplo
4.3
quad
10.3
Salto lançado


ATh
Axel


FTh
Flip/lutz


LoTh
Loop


STh
Salchow


TTh
Toe loop



Giro


CSp
Camel spin


CCSp
Camel spin com pé trocado


CLSp
Layback spin com pé trocado


CSSp
Sit spin com pé trocado


CUSp
Upright spin com pé trocado


CoSp
Giros combinados


CCoSp
Giros combinados com pé trocado


FCSp
Flying camel


FLSp
Flying layback


FSSp
Flying sit


FUSp
Flying upright


LSp
Layback spin


PCoSp
Pair combination spin


PSp
Pair spin


SSp
Sit spin


USp
Upright Spin



Combinação de passos



ChSt
Sequência de passos coreografada


CiSt
Sequência de passos circular


DiSt
Sequência de passos diagonal in hold


MiSt
Sequência de passos Midline in hold


NtMiTw
Not Touching Midline Sequential Twizzles


NtMiSt
Not Touching Midline Steps


SeSt
Sequência de passos Serpentine


SlSt
Sequência de passos Straight line



Sequências coreográficas



ChSq
Choreographic Sequence



Sequências de espiral



ChSp
Espiral coreografada






Levantamento de pares



ATw
Axel twist


1Li
Group one


2Li
Group two


3Li
Group three


4Li
Group four


5ALi
Group five axel lasso


5RLi
Group five reverse lasso


5SLi
Group five step in lasso


5TLi
Group five toe lasso


LzTw
Lutz/Flip twist


TTw
Toeloop twist



Levantamento de dança



CuLi
Curve


RRoLi
Reverse rotational


RoLi
Rotational


SeLi
Serpentine


StaLi
Stationary


SlLi
Straight line



Espiral da morte



BiDs
Backward inside


BoDs
Backward outside


FiDs
Forward inside


FoDs
Forward outside



Elementos de dança



STw
Synchronized twizzles



 Nos saltos, o número de rotações aparece antes da abreviação. Um duplo Axel seria um 2A.

Segue um exemplo de protocolo de julgamento, no qual são usadas as abreviações

patinação, patinagem, patinação no gelo, patinagem no gelo, ice skating, figure skating, patinação artística no gelo, pontuação, score
Fonte


Por hoje é só.

Até semana que vem!



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