Terminou a primeira etapa do Grand Prix Junior da temporada. Podemos dizer que a temporada 2016-2017 de patinação artística no gelo já começou. Vamos ver alguns destaques:
Problemas no CD
Foi a estreia da canadense Olivia Gran no Grand Prix Junior. E logo no seu programa curto teve um problema muito chato: o CD de sua música travou e ela teve que parar a apresentação no meio, para recomeçar depois. Essa é uma situação terrível para o patinador, que perde concentração e tem seu rítmo quebrado. Felizmente, ela até conseguiu voltar bem depois. Olívia terminou em oitavo lugar no final da competição.
Mãos ao alto
Está se tornando mais comum realizar saltos com uma das mãos acima da cabeça (posição conhecida como tano jump) ou com as duas mãos acima da cabeça (rippon jump). Essas variações aumentam as notas. Será que essa é uma tendência para os próximos anos?
Ou será influência da atual campeã mundial, Evgenia Medvedeva nos hábitos das novas gerações?
A dupla brasileira Karolina Elizabeth CALHOUN / Logan Tyler LEONESIO participou da modalidde dança no gelo. No programa curto, a dupla acabou ficando na última colocação. No longo eles se recuperaram um pouco, apresentando um programa bem melhor do que o do dia anterior.
Eles já
conseguiram antes índice para participar do Mundial Junior no
longo. Agora vamos esperar que trabalhem bastante no programa curto e
consigam ganhar mais experiência internacional.
Acidente
Uma notícia bem
triste foi o acidente sofrido por um ônibus que fazia o
transporte para o local do evento.
Anna Tarusina, da Rússia e Anzelika Klujeva, da Letônia e seus técnicos ficaram feridos. Embora ninguém corra risco de vida, as atletas tiveram que se retirar do torneio e há informações que Anna teve que se submeter a uma cirurgia. Vamos torcer para a pronta recuperação de todos e para que as atletas possam retomar a carreira o mais rápido possível.
Vai começar o Grand Prix Junior de patinação. É uma ótima pedida para quem ficou com saudade das Olimpíadas e sua overdose de esportes na TV. A grande vantagem desses eventos junior é que são transmitidos gratuitamente ao vivo via youtube. Esse evento vai inclusive contar com a dupla de dança no gelo Karolina Elizabeth CALHOUN / Logan Tyler LEONESIO, que representa o Brasil.
A brasileira Karolina Calhoun participa do campeonato
1 Maisy Hiu Ching MA
Hong Kong
2 Alina ZAGITOVA
Russia
3 Anzelika KLUJEVA
Letônia
4 Federica MAGNIFICO
Suíça
5 Olivia GRAN
Canadá
Grupo 2
6 Anna TARUSINA
Russia
7 Kaori SAKAMOTO
Japão
8 Ellen YU
Noruega
9 Thita LAMSAM
Tailândia
10 Alina SUPONENKO
Belarus
Grupo 3
11 Alizee CROZET
França
12 Aiza MAMBEKOVA
Cazaquistão
13 Charlotte VANDERSARREN
Belgica
14 Zeynep Dilruba SANOGLU
Turquia
15 Pauline WANNER
França
Grupo 4
16 Elisa TSUJI
Indonésia
17 Emmi PELTONEN
Finlândia
18 Tania MARGARIDO
Andorra
19 Kristen SPOURS
Reino Unido
20 Rin NITAYA
Japão
Grupo 5
21 Kristina ISAEV
Alemanha
22 Julie FROETSCHER
França
23 Cassandra JOHANSSON
Suécia
24 Ye Lim KIM
Coréia do Sul
25 Alexia PAGANINI
Estados Unidos
26 Veronika SHEVELEVA
Cazaquistão
1 Sofia POLISHCHUK / Alexander VAKHNOV
Russia
2 Sasha FEAR / Jack OSMAN
Reino Unido
3 Eliana GROPMAN / Ian SOMERVILLE
Estados Unidos
4 Sabrina BITTNER / Andrej LEBED
Alemanha
Grupo 2
5 Alexandra BORISOVA / Cezary ZAWADZKI
Polônia
6 Angelique ABACHKINA / Louis THAURON
França
7 Karolina Elizabeth CALHOUN / Logan Tyler LEONESIO
Brasil
8 Ashlynne STAIRS / Lee ROYER
Canadá
Grupo 3
9 Emilia KALEHANAVA / Uladzislau PALKHOUSKI
Belarus
10 Villo MARTON / Danyil SEMKO
Hungria
11 Nicole KUZMICH / Alexandr SINICYN
República Checa
12 Sofia SHEVCHENKO / Igor EREMENKO
Russia
Grupo 4
13 Christina CARREIRA / Anthony PONOMARENKO
Estados Unidos
14 Natacha LAGOUGE / Corentin RAHIER
França
15 Chanel DEN OLDEN / Rodolphe SABATINI
Holanda
16 Loica DEMOUGEOT / Theo LE MERCIER
França
6 Si Hyeong LEE
Coréia do Sul
19 41.78
7 Basar OKTAR
Turquia
16 48.85
8 Natran TZAGAI
Suécia
18 42.04
9 Eric LIU
Canadá
17 45.02
10 Michel TSIBA
Holanda
20 40.00
Grupo 3
11 Artur PANIKHIN
Cazaquistão
13 53.06
12 Graham NEWBERRY
Reino Unido
12 54.11
13 Adam SIAO HIM FA
França
15 49.36
14 Petr KOTLARIK
República Checa
14 52.13
15 Oleksiy MELNYK
Estados Unidos
11 54.49
Grupo 4
16 Sondre ODDVOLL BOE
Noruega
10 56.06
17 Ilia SKIRDA
Rússia
9 56.07
18 Tomoki HIWATASHI
Estados Unidos
6 57.90
19 Luc ECONOMIDES
França
7 56.18
20 Daniel GRASSL
Itália
8 56.09
Grupo 5
21 Koshiro SHIMADA
Japão
5 59.32
22 Conrad ORZEL
Canadá
4 61.65
23 Roman SAVOSIN
Rússia
2 67.44
24 Yaroslav PANIOT
Ucrânia
1 68.58
25 Kevin AYMOZ
França
3 64.74
Os vídeos podem ser acompanhados neste canal do youtube. Não vi até agora previsão de live no canal, mas imagino que na hora vai dar tudo certo lá. Se por um acaso não passar lá eu posto os vídeos depois.
Atualização: já saíram os links das lives no youtube e já postei. Conforme a ordem do longo for saindo, vou postar também. Aguardem as atualizações.
Ao praticarmos algum tipo de esporte, vemos algumas habilidades que não só nos ajudam na prática daquela atividade como podem ser levadas para o resto da vida. Pode ser flexibilidade, agilidade, explosão muscular ou resistência, ou muitas outras habilidades físicas ou mesmo psicológicas. Ao praticarem um esporte, pessoas que têm experiências em outras modalidades podem ter muito mais facilidade do que outros que não possuem essa bagagem. A prática de um esporte utilizada para suplementar outro esporte se chama cross-training.
Na patinação acontece o mesmo. A prática de outras atividades físicas pode ajudar muito no esporte. Vamos ver algumas das modalidades que mais tem a ver com a patinação.
As artes marciais trabalham bastante a agilidade e flexibilidade. Além disso, podem ajudar bastante o preparo psicológico, pois trabalham bastante o equilíbrio mental e a concentração.
A patinação em rodas é talvez o esporte mais próximo da patinação do gelo. Vários elementos existem tanto em um quanto em outro. Várias habilidades são comuns. Mas, nem tudo é perfeito. Apesar de serem parecidas, há algumas diferenças importantes entre rodas e o gelo. Enquanto nos movemos através de rodas em um tipo de patins, o outro corta o gelo com alguma das duas lâminas, deslizando em uma fina camada de água. Esses detalhes não são tão importantes em uma etapa inicial, mas acabam pesando em um nível mais avançado.
Um dilema é: usar patins com duas fileiras de duas rodas ou inline? Por causa do equilíbrio mais parecido com patins de gelo, o inline leva vantagem em oferecer uma experiência mais próxima. Porém, o patins de duas fileiras permite aprender uma gama maior de elementos, o que também é uma boa vantagem.
A ginástica trabalha a flexibilidade, força nos saltos, movimentos acrobáticos e exige preocupação com a expressão artística. São dois esportes bem parecidos, com elementos, notas de execução e até mesmo apresentações com música.
É parecido com a ginástica artística, mas com muito mais ênfase na parte artística em vez da atlética (embora pelos nomes pareça ser o contrário). Também trabalha a flexibilidade, força e a harmonia nos movimentos. A competição é tão parecida com a patinação que os atletas até esperam suas notas em um "kiss & cry", um lugar onde os patinadores e seus treinadores também aguardam suas notas enquanto são filmados.
É importante lembrar que também podem existir problemas com o cross-training. Por exemplo, para patinadores de alto rendimento podem ter problemas treinando ginástica, já que essa atividade força muito as extremidades inferiores do corpo, o que pode gerar lesões na prática da patinação. Então, é necessário sempre considerar com cuidado os prós e contras de cada atividade.
Hoje vamos falar dos spins, traduzidos por giros ou piruetas. Antigamente me referia a eles como giros, mas a verdade é que me habituei tanto a falar em inglês que desisti de traduzir e vou falar direto spins. São elementos de grande beleza e que também garantem um bom número de pontos aos atletas, sendo computados em um esquema semelhante aos saltos.
Considerações Gerais
Os spins devem ser controlados, centralizados, rápidos e com boa posição. O patinador deve girar sobre um ponto e não andar sobre o gelo enquanto executa o movimento. O desenho feito no gelo deve ser feito conforme a linha verde abaixo, e não segundo a linha vermelha:
O spin geralmente começa com um crossover de costas, terminando com patinação na lâmina direita interna. Depois, a lâmina esquerda pisa no centro do círculo formado pela curva da lâmina. A saída do spin é feita na mesma posição de pouso dos saltos.
Pontuação e classificação
A pontuação é feita de modo parecido com os saltos, mas levando em conta uma classificação diferente. Os spins são divididos entre upright spins, layback spins, camel spins e sit spins. Dentro desses grupos, há uma nova classificação entre 5 níveis: básico, 1, 2, 3 e 4, conforme o grau de dificuldade do spin. Na sigla que é demonstrada no protocolo de notas, o nível aparece no final. Vejam o seguinte protocolo, por exemplo:
O elemento 4 é o CCoSp4, o que significa que é um nível 4 do elemento abreviado por CCoSp, que é uma combinação de spins com mudança de pé,
Além disso, há alguns modificadores que influenciam diretamente na nota: spin com uma posição e sem mudança de pé, flying spin, spin com uma mudança de pé e sem mudança de posição e combinação de spins com mudança de posição e mudança de pé. Cada modificador desse traz uma nota diferente. Pode parecer meio complicado, mas vai ficar mais fácil conforme for explicando.
Upright spin
São os spins realizados com o corpo posicionado na vertical sobre o pé que está patinando.
A pontuação é a seguinte:
Spin com uma posição e sem mudança de pé
Spin
Abreviatura
Nota base
Upright Level B
USpB
1
Upright Level 1
Usp1
1,2
Upright Level 2
USp2
1,5
Upright Level 3
Usp3
1,9
Upright Level 4
Usp4
2,4
Flying spin
Spin
Abreviatura
Nota base
Upright Level B
FUSpB
1,5
Upright Level 1
FUSp1
1,7
Upright Level 2
FUSp2
2
Upright Level 3
FUSp3
2,4
Upright Level 4
FUSp4
2,9
Exemplo de flying upright spin
Spin com uma mudança de pé e sem mudança de posição
Spin
Abreviatura
Nota base
Upright Level B
(F)CUSpB
1,5
Upright Level 1
(F)CUSp1
1,7
Upright Level 2
(F)CUSp2
2
Upright Level 3
(F)CUSp3
2,4
Upright Level 4
(F)CUSp4
2,9
Upright spin com mudança de pé
Essas são as variações do Upright spin:
Two-footed spin
É fácil de reconhecer e é o primeiro spin a ser aprendido. É feito com os dois pés girando no gelo.
Em seu anúncio, ela conta que foi assistir ao campeonato nacional de patinação quando tinha 10 anos e se encantou pelo esporte. Seu objetivo passou a ser competir pelo campeonato nacional na categoria sênior. Em 2016, seu sonho finalmente se tornou realidade, competindo ao lado da irmã Gracie, que venceu a competição. Ela considerou que havia chegado a sua meta e que era a hora certa de encerrar a carreira.
O site Ice Network falou com alguns patinadores sobre o interesse deles sobre as Olimpíadas de Verão. Meagan Duhamel, uma das melhores atletas de pares, lembrou da ginasta americana Kerri Strug, que machucou o pé e mesmo assim fez um salto para ajudar o time americano nas Olimpíadas de 1996. Max Aaron lembrou das conquistas do nadador Michael Phelps.
O interessante foi ver que o interesse pela ginástica artística é quase unânime. É um esporte bem próximo a patinação, pois envolve saltos, acrobacias e parte artística. Sem contar o julgamento por notas, comum às duas modalidades.
Aliás, a ginástica é um dos esportes que ajudam no desempenho da patinação. A flexibilidade, o equilíbrio e a força que são desenvolvidos pela ginástica são muito bem aproveitados na patinação. Depois teremos um post específico falando sobre esportes cuja prática facilitam o desempenho na patinação.
A notícia completa pode ser vista aqui (em inglês).
Max Aaron se apresenta com programa longo inspirado em Rei Leão
Max Aaron participou do U.S. Collegiate Figure Skating Championships, apresentando pela primeira vez seu programa longo com música de Rei Leão. Ele apresentou um total de 10 saltos, e obteve 150,06.
Ele ainda não decidiu se vai usar o programa em competições durante a temporada 2016-2017.
Em tempo de Olimpíadas de Verão, há uma curiosidade muito interessante que pouca gente conhece. Hoje em dia, quando pensamos na patinação artística, logo lembramos de alguns dos melhores momentos das Olimpíadas de Inverno. Mas houve um tempo em que isso era diferente. Mais precisamente, nos Jogos de Londres de 1908, ano em que a patinação estreou nas Olimpíadas... de Verão.
OK, na verdade não era exatamente as Olimpíadas de Verão. A divisão entre Verão e Inverno só aconteceu na década de 20, com os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno sendo disputados em 1924, na cidade de Chamonix, França. Antes disso, as Olimpíadas eram um único evento. É o primeiro esporte hoje considerado de inverno a fazer parte dos Jogos foi a patinação artística, sendo em Jogos posteriores seguida por outros esportes, como a patinação de velocidade e o hockey.
No ano de 1908, foram disputadas 4 modalidades: feminina, masculina, pares e figuras especiais para homens. Esse último consistia em fazer desenhos no gelo com a lâmina. Entre os campeões daquele ano, tivemos Ulrich Salchow, criador do salto Salchow, usado ainda hoje nas competições de patinação. Os países vencedores foram Rússia, Suécia, Inglaterra e Alemanha.
Nas Olimpíadas de 1912, a patinação não foi disputada, já que os organizadores queriam incentivar outro evento, o Nortic Games, que era voltado para esportes de inverno.
Em 1916, as Olimpíadas não foram disputadas por causa da I Guerra Mundial. O evento voltou em 1920, na Antuérpia, Bélgica. E a patinação também voltou a ser disputada, agora com as modalidades masculina, feminina e pares. Os europeus continuaram a dominar o evento, com duas vitórias da Suécia e uma da Finlândia.
Em 1924, houve a divisão entre Olimpíadas de Verão e de Inverno. Ao contrário de hoje em dia, os eventos eram disputados no mesmo ano e no mesmo país. A separação foi necessária para que esportes que necessitavam de neve pudessem ser incluídos, já que não era possível que fossem disputados junto com outros esportes de verão. Por não dependerem do clima, a patinação e o hockey não sofriam desse problema e por isso estiveram presentes na época de Olimpíada unificada.
Apesar da patinação realmente ter mais a ver com as Olimpíadas de Inverno, não dá para deixar de pensar em como seria se ainda hoje tivessemos um evento unificado. Uma vantagem seria poder ver uma competição de patinação de alto nível nas Olimpíadas do Rio. Aposto que muita gente ficaria fã de vez do esporte se pudesse ver pessoalmente, já que essa é uma experiência incrível.
E vocês, já imaginaram como seria uma Olimpíada unificada? Será que a patinação ganharia ainda mais espaço ou ficaria um pouco esquecida em meio a outros esportes famosos?
Os componentes do programa são avaliados por notas dos juízes entre 0,25 e 10. Veremos mais detalhadamente quais são os elementos e como é feito este julgamento.
Habilidades de patinação (Skating skills)
São as habilidades técnicas de patinação, envolvendo elementos como passos (steps), viradas (turns), uso de lâminas em diferentes direções (edge). Enfim, tudo o que aprendeu desde as primeiras aulas de patinação, até mesmo aspectos básicos.
Embora haja uma série de critérios a serem avaliados, separei alguns que podem ser observados com facilmente:
Facilidade em patinar com apenas um pé e não patinar demais usando dois pés.
Patinar em diferentes direções, tanto de frente quanto de costas
Bom deslizamento no gelo
Bom equilíbrio e facilidade na transferência de peso
Performance/execução
Mede o envolvimento do patinador, tanto de forma física quanto emocional conforme ele executa o programa.
Alguns critérios:
Interpretação do programa de forma a passar emoção
Transições fluidas de um movimento para o seguinte
Boa conexão com o público
Coreografia
É autoexplicativo. Mede a qualidade da coreografia do patinador.
Alguns critérios:
Propósito - a intenção e qualidade com que a coreografia foi elaborada. Aqui conta muito um bom coreógrafo.
Unidade - cada passo, movimento e elemento e motivado pela música
Padrões - fazer uma variedade significativa de diferentes padrões e direções.
Cobertura de gelo - o quanto o patinador se movimenta pela pista. O ideal é que cubra uma quantidade grande de gelo
Comparação da cobertura de gelo de Yuna Kim e Sotnikova no programa longo das Olimpíadas de Socchi
Mede a interpretação da música enquanto patinação.
Alguns critérios:
Expressão das características e estilos da música durante o programa
Capturar as nuances da música que está sendo apresentada
Transições
Variedade ou dificuldade do trabalho dos pés, posições, movimentos e transições entre todos os elementos
Alguns critérios:
Variedade
Dificuldade
Qualidade
Já deu para perceber que o julgamento desses elementos é muito mais subjetivo. Apesar dos esforços para tornar os critérios mais objetivos, provavelmente é impossível eliminar toda subjetividade do julgamento. Para quem assiste, aqui fica bem mais difícil saber qual nota os juízes irão dar.