[Review da leitora] Eu comprei patins de gelo!

sábado, 8 de abril de 2017

Boa noite!
 
No post de hoje vamos postar um review bem útil escrito pela Fernanda! Ela comprou patins de gelo recentemente na loja Fulop e vai contar todos os detalhes para vocês. Ela também conta um pouco da paixão dela pela patinação artística no gelo. Tenho certeza que vai ter mais gente se identificando com o relato dela! Boa leitura! :)



Olá, pessoal!

    Me chamo Fernanda Fabricia, comprei patins de gelo e vou contar pra vocês como foi.
    Primeiro, vou contar um pouquinho sobre meu interesse na patinação artística de gelo. Desde criança, a patinação sobre o gelo me fascina, apesar de naquela época ter tido pouca oportunidade de assistir ao esporte e nenhuma de praticá-lo. Esporte pouco divulgado, assisti a uma ou outra coisa na TV aberta ou a cabo, mas foi o suficiente para me encantar. Felizmente, hoje temos a internet para nos salvar!

    E foi por esse encanto imediato que, aos onze anos, pedi para minha mãe de Natal um par de patins quad. Gostava bastante daqueles patins. Brinquei as férias todas, até o início do outono. Deixei de lado por um tempo mas, quando fui procurá-los, não encontrei: deixei-o na frente de casa e, como o muro era baixo, com certeza alguém entrou e o levou! Uma das lembranças que eu tenho daquele tempo é de eu ter feridas no lugar dos joelhos. A coisa era feia, pois eu era meio radical e queria saltar como as patinadoras e, ademais, as calçadas eram muito ruins: não tropeçar era uma arte que eu não dominava, principalmente em alta velocidade! Por anos eu deixei esse assunto de lado.

    Há uns anos, encontrei no Youtube a apresentação dos chineses Shen e Zhao com a música de “Turandot” e me apaixonei! “Viciei” no vídeo, assisti várias e várias vezes! Mas também foi o único, acabei não vendo outras coisas, nem deles e nem de ninguém mais. Mas, desde o início de 2016, eu retomei meu interesse pela patinação, e comecei a assistir apresentações femininas, e foi aí que descobri as grandes patinadoras, como a Yuna Kim. Comecei a assistir as apresentações e acompanhar as competições. Também comecei a estudar o funcionamento da patinação no que se refere à parte técnica como, por exemplo, os elementos das apresentações, os movimentos e a pontuação. Tarefa ingrata essa, afinal as informações em português são escassas em quantidade e qualidade. Há poucos meses conheci o Figure Skating Brasil Blogspot e fiquei realmente feliz, pois é um dos poucos do país com informações mais precisas e detalhadas sobre o esporte. Gosto muito da forma como as coisas são explicadas aqui, sempre com textos muito claros. Além disso, a Jennifer e o Marcos sempre postam notícias frescas sobre o mundo da patinação, nos deixando atualizados.
    Em julho do ano passado, estava já disposta a comprar patins quad pra poder satisfazer minha vontade de patinar. Claro que eu não estava muito feliz com a ideia, pois o que eu queria mesmo era patinar no gelo. Mas, cadê o gelo? Há alguns anos, num shopping da cidade, teve uma pista de gelo, mas durou pouco e eu nem cheguei a ir. Por que durou pouco? Porque, infelizmente, era muito caro pelo tempo que se ficava na pista, porque patinar não é tão simples mesmo, mas, principalmente, porque a patinação não é popular. E não é popular, a meu ver, não porque vivemos num país quente, como a maioria das pessoas pensa, mas por falta de interesse do poder público no esporte. Sim, o frio é um fator importante na questão da popularidade, isso é inegável, mas já há um tempo que se possui tecnologia para manter pistas de gelo em locais quentes. Exemplo disso são os rinks que existem em estados quentes dos Estados Unidos, como na Califórnia. O fato é que, excluindo-se o futebol, esporte nunca foi prioridade em nosso país. Triste!

    Moro em Foz do Iguaçu, no Paraná, cidade que faz fronteira com o Paraguai e Argentina, ao mesmo tempo: nossa região é conhecida por Tríplice Fronteira. Além disso, Foz do Iguaçu é uma cidade turística, onde se localizam as Cataratas do Iguaçu, a Usina Hidrelétrica de Itaipu (a maior usina hidrelétrica do mundo) e outras atrações. Hoje, minha cidade também vem se destacando, como polo universitário, pois abriga várias instituições de ensino superior, entre elas a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e a Universidade Federal da Integração Latino-America (Unila), sendo que a última recebe estudantes oriundos de toda América Latina e Caribe. Foz também se destaca como local de diversidade linguística e cultural, tanto pela proximidade com Argentina e Paraguai, quanto por abrigar mais de 80 etnias, destacando-se os paraguaios, os povos árabes, os coreanos e os chineses.

    Sobre patinar no gelo, isso me parecia uma possibilidade meio vaga, pois só poderia patinar se viajasse pra onde tivesse um rink. E, além disso, seria uma vez ou outra, e não com a frequência que eu gostaria. E confesso que isso me deixava um pouco triste...
    Até que, certo dia, conversando com meu colega, falei da minha frustração sobre ter que usar patins de rodas ao invés dos de gelo, aí ele me sai com essa: “Vai abrir uma pista de patinação no gelo ali num shopping do Paraguai!”. Gente, vocês não podem imaginar a minha alegria! Acho que a cara que eu fiquei foi essa, ó:



Ciudad Del Leste, no Paraguai, é colada com Foz do Iguaçu: é só atravessar a Ponte da Amizade pra chegar lá. A pista de patinação fica no Shopping Paris, no Snow Park, que é um parque de neve, com pista, tobogã, neve, etc. Lá eles emprestam os patins (que são patins de recreação), mais o capacete e agasalho (blusa, luva, touca, etc.). Falarei mais dele depois.

    Quando inaugurou o parque, fui e fui sozinha mesmo: a impopularidade da patinação é tão grande que nenhum amigo meu ou alguém da minha família quis ir comigo (#chateada)!
    No primeiro dia, caí entre 19 e 22 tombos (a dor foi tanta que me atrapalhou a contagem). Eu poderia justificar, dizendo que tinha muita gente e eu estava afobada, queria andar rápido, etc. e etc., mas a verdade é que eu era ruim mesmo! Lá tem andadores para o pessoal ir se segurando, mas só usei na primeira volta, depois fui sem, porque sou metida! Confesso que ter andado quando criança ajudou bastante, pois é como andar de bicicleta, a gente não esquece. E comecei ir sempre que podia. O pessoal de lá me achava meio estranha, pois eu era (e ainda sou!) a cliente mais assídua e, além disso, sempre ia sozinha! Como eu fiz para não ficar sozinha? Fiz amigos lá, oras!
    Patins de recreação, vocês sabem, é um problema: são desengonçados, não se adaptam bem aos pés (são muito largos e com numeração ampla, sendo que um número serve para muitos tamanhos e tipos de pés), não dão flexibilidade lateral e nem no tornozelo, as lâminas são ruins e cegas, e tem o problema que todo mundo usa.

    Assisti a uns tutoriais da internet sobre manobras básicas, como os swizzles, pumps, crossover, e fiz o que pude para aprender com aqueles patins, mas era desanimador, porque não dava pra fazer direito. Claro, para desenvolver habilidade precisa ir com bastante frequência, o que nem sempre era possível (minha frequência era a cada 15 dias, sempre no final de semana). Com o tempo, comecei a me convencer de que sem um par de patins adequado, eu não conseguiria me divertir do jeito que eu queria. Na verdade, meus sonhos são bem modestos: fazer uns spins, o crossover, three turns, essas coisas. Dei uma olhada nos preços dos patins e fiquei meio desanimada, afinal, não são baratos mesmo. Mas a questão é que quanto mais eu usava os patins alugados, mais eu me convencia de que eu não evoluiria com eles. Até parei de ir por umas semanas, pois não queria ir para não aprender nada.

    Eu estava achando caro e resistindo à compra, até que fiz umas contas e percebi que seria um ótimo investimento do ponto de vista da saúde mental e física: a patinação exercita bastante o corpo, relaxa a mente, a autoestima e confiança aumentam quando aprendemos a fazer algo, fiz novos amigos… enfim! (Na verdade, não sei se são argumentos tão bons assim, mas eu não ia discutir comigo mesma!).


Como foi comprar na loja Folup

    Logo comecei a pesquisar onde comprar aqui no Brasil. Isso foi meio chatinho de fazer, pois tem pouquíssimas lojas que vendem aqui no Brasil. Além disso, precisei buscar informações sobre patins, como a qualidade da bota e da lâmina. Acessei alguns sites em português e inglês, e encontrei muita coisa útil nas postagens aqui do blog e que me ajudaram muitíssimo: Tipos de Patins, Como cuidar de seus patins: botas, Como comprar seus patins e Como cuidar de seus patins: lâminas. Com informações a tiracolo, fui atrás dos patins.

    Em dezembro passado, já havia mandado um e-mail para a Patins Fulop, pedindo um orçamento e, assim, retomei a conversa. Entrei em contato também com Likyane Academy, mas não tive retorno. Conversei por telefone com o Ricardo (o dono) e gostei de negociar com ele, pois ele foi bem prático.
    A bota e a lâmina, pela Fulop, são vendidas separadamente: escolhem-se os modelos pelo catálogo e a loja monta e envia. Quem mora em São Paulo pode retirar pessoalmente.

    O tamanho do pé é acertado com base na numeração do calçado social (calço 36 e os patins são 36/37). Não foi preciso mandar a medida do meu pé. Mas a largura também é algo importante nessa conta: segundo o Ricardo, se meu pé fosse largo, seria necessária uma numeração maior. Escolhi uma bota Risport , modelo Antares. Essa é uma marca italiana, que patrocina, entre outros patinadores, a Mao Asada (confesso que isso tem um efeito psicológico muito bom! Pensar que uso a mesma marca que a Mao me faz pensar que somos do “mesmo clube”: “Com licença, eu uso a mesma marca que a Mao Asada. Por favor, não atrapalhem meu treino!”). Ele vende também botas da Edea e da Ragstar, mas achei mais bonita a da Risport, mesmo. A escolha da lâmina foi feita com base no preço e na minha necessidade de uso, que é a recreação. Ou seja, para fazer movimentos mais complexos e precisos, é necessário outro tipo de lâmina. Comprei a John Wilson, modelo Arrow 9,75. Sobre botas e lâminas, existem muitos detalhes técnicos que influenciam bastante na qualidade da patinação. Não domino bem esse assunto, até hoje só usei os meus patins, a minha patinação é bem básica e comecei a patinar recreativamente há pouco, então não tenho nem ideia de como esses detalhes influenciam na prática.

    A compra não é feita diretamente pelo site, mas, sim, via e-mail e confesso que isso me deixou um pouco insegura, já que a compra seria por cartão de crédito. Assim, saí pedindo ajuda para quem patinava e incomodei alguns patinadores: pedi ajuda para o Felipe Kubo (falei com a mãe dele, a Tatiana, que foi muito atenciosa!), Marcele Cataldo, Simone Pastusiak e até pedi ajuda para o pessoal da CBDG. Tive ótimas referências do Ricardo Fulop, da seriedade de seu trabalho e então decidi realizar a compra.

    Mas, veja, toda a compra foi feita com base em muita insegurança, pois nunca tinha visto um par de patins de gelo ao vivo na vida e, como disse acima, não domino o assunto. Uma das coisas que achei legal em negociar com o Ricardo foi, além da praticidade, o fato de que ele me ajudou a economizar na compra. Por exemplo, ele me falou que não era preciso gastar dinheiro com uma bolsa especial para os patins e também que não eram necessários cadarços extras. Muito bom, já que muitos vendedores possuem o feio costume de ficar empurrando coisas desnecessárias. De fato, em vez de comprar uma bolsa de R$ 130,00, gastei R$ 50 numa malinha bem firme, que vai me servir para outras coisas. 
No final das contas, meu orçamento ficou assim:

Botas Risport Antares 255(36/37)....R$  740,00
Lâminas JW Arrow 9,75....................R$  460,00
Afiação.............................................R$     40,00
Protetor lâmina Risport  PRETO........R$     90,00
Sedex com seguro IGU......................R$  110,00
Total:............................................... R$1.440,00

    Não comprei os soakers, porque não vi a tempo matéria aqui do blog que fala sobre os cuidados com as lâminas, só vi depois que eu tinha fechado a compra. Agora já sabem: de olho no blog! Mas também não sei se a Fulop tem esse produto, pois na tabela de preços ele não aparece.
Assim, o jeito foi improvisar: meias e borrachinhas estão fazendo as vezes de soakers!
    Depois da confirmação do pagamento, os patins são enviados em até dois dias úteis. Nisso eu me desesperei “um pouco”, pois pensei que não chegaria a tempo de patinar no final de semana que eu teria livre! Mas aí estão as minhas belezinhas: “My precious!”.


(Foto: “The ‘One’ Skaters”.)


    Quando fui estreá-los, fiz o maior sucesso!
    Os pés doeram no primeiro dia e fiquei na dúvida se era normal isso, ou seja, se aconteceria sempre, pois com os patins alugados era. Mas, conforme li, é normal doer um pouco no início, pois os patins são duros e, conforme o uso, os pés vão “moldando” o interior da bota, de acordo com o formato de cada pé (uma ótima desculpa para eu não emprestá-los para NIN-GUÉM!).
    Só me decepcionei com uma coisa: pensei que fossem mágicos, que eu sairia dando Axels, mas não foi assim! Ou seja, não tenho mais desculpas de patins ruins, se eu não aprender a patinar, é porque a coisa é comigo mesma!


Como é a pista de patinação do Snow Park




    Sobre a pista que eu patino, no Paraguai: fica dentro do Snow Park, que é um parque de neve. A pista é comprida (uns 40-45 m), mas é estreita (uns 8-10 m). Tem aquele problema que parece ser bastante comum no Brasil, que são as colunas no meio da pista, já que fica dentro de um shopping. Ou seja, não é propriamente um rink para a prática do esporte, mas sim uma pista para o pessoal brincar um pouco. E tem outro problema também: como é um parque de neve, frequentemente os clientes brincam de guerra de bola de neve na pista, que endurecem e formam pedras, o que pode ser bem perigoso, principalmente para quem está aprendendo a patinar. Estou aprendendo a patinar de costas e as possíveis pedras sempre se tornam uma preocupação a mais e desnecessária. Além disso, o acesso ao tobogã e ao Túnel do Pirata é feita pela pista, então sempre tem gente transitando a pé por ela.

    Outra coisa que não gosto (e pelo jeito não sou a única) é a obrigatoriedade de uso de capacetes. Isso é bastante comum no Brasil, mas incomoda muito, atrapalha a visão, aperta o pescoço e fora que todo mundo usa. Mas, depois dos patins novos, eu tenho “esquecido” de colocar o capacete (olhem só que coisa!). 

    Mas, apesar disso, eu não posso reclamar, afinal tem uma pista pertinho de casa! Uma das vantagens é o preço. Para mim, que fico sempre mais de quatro horas, compensa: R$ 42,00 (esse é o preço para adultos moradores da região, que pagam menos. As crianças moradoras da região pagam R$ 30,00. O preço para quem é de fora fica R$ 70,00 adultos e R$ 50,00 crianças). Tem gente que acha que não compensa, pois ficam pouco tempo lá. E, ademais, patinar não é tão simples mesmo. E também não tem instrutores para ajudar e, além disso, tem o frio que nem sempre todo mundo suporta (a temperatura fica em torno de 11º C). O parque é frequentado mais por turistas que visitam a região do que por moradores. Tem uma lanchonete bem legal, com lanches deliciosos e bem mais baratos que no Brasil. E o pessoal que trabalha lá é muito bacana: viraram meus amigos!

    Fico torcendo para que a pista continue aberta por muito tempo, pois patinar realmente me deixa feliz. Na verdade, não gosto dessa insegurança, de termos que ficar na dependência de empresários que mantém pistas, pois eles podem fechar a qualquer tempo, deixando patinadores amadores e profissionais a ver navios. Infelizmente, essa é uma triste história que tem se repetido há décadas em nosso país, ceifando o sonho de muitas pessoas e, por falta de estrutura no país, acabamos vivenciando situações como a que vivemos hoje, de muitos patinadores brasileiros nascidos no exterior construindo suas carreiras em terras estrangeiras. Penso que a patinação e outros esportes sobre o gelo devessem receber fomento dos governos e que existissem rinks mantidos pelo poder público. Afinal, se o dono da pista decide fechar, com quem vamos reclamar? Uma opção um pouco melhor que pistas particulares seriam rinks mantidos por associações, que tivessem, além das medidas adequadas, um gelo de boa qualidade para a prática da patinação e os outros esportes sobre o gelo. Ah, a tempo: a Tríplice Fronteira é realmente muito quente! No verão, as temperaturas sempre ficam entre 35º e 45º C. Isso é prova que só é preciso boa vontade e interesse para termos rinks no Brasil.

    Amo patinar, isso realmente me deixa muito feliz. Na verdade, poucas pessoas entendem certas paixões. Mas é simples: não tem gente apaixonada pelo futebol? Então, é assim comigo com a patinação.    

(Fernanda Fabricia Fernandes)

 
 

Esperamos que vocês tenham gostado do relato tanto quanto a gente. Foi muito legal saber como é comprar patins na Fulop e saber mais sobre a história da Fernanda, que foi muito gentil em escrever esse review e compartilhar conosco. A dica do parque no Paraguai também é ótima, já que Foz do Iguaçu é um ponto turístico bem importante do Brasil e quem viajar para lá pode aproveitar para patinar! Muito obrigada mesmo Fernanda!  

Bom fim de semana!


3 comentários :

  1. Que legal! Conheço a Fernanda e sei da paixão dela pela patinação no gelo! Com o que ela falou, dá até vontade de começar a lutar por locais públicos para essa recreação e/ou esporte!

    ResponderExcluir
  2. Sou irmã da Fernanda e realmente: ela é APAIXONADA por patinação no gelo! A cara de satisfação dela depois que volta do Snow Park é impagável!

    ResponderExcluir
  3. Eu não tinha pensado muito sobre associações cuidarem de pista de gelo. Aqui na cidade tem vários clubes e todos eles tem piscinas, quadras, etc... Bastava que só um deles tivesse una pista de gelo e todos que querem praticar não só patinação como também hóquei seriam beneficiados.

    O problema é que aqui no Brasil sempre se vê uma pista de gelo como um evento infantil e não como uma estrutura física para servir alguns esportes.

    ResponderExcluir

© Figure Skating Brasil - 2017. Todos os direitos reservados.
Design by: Thays Martins.
imagem-logo